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Construção civil no Rio Grande do Sul inova para crescer

 

Um crescimento de 6,88% somente no terceiro trimestre e uma projeção de incremento de 5,07% no ano, segundo o Índice de Atividade da Construção Civil Gaúcha (IAC-RS), feito pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado (Sinduscon-RS), além da grande expectativa em função das obras para a Copa de 2014. Tudo isso sob pena de falta de mão de obra. Esse é o cenário nada sustentável que enfrenta hoje a construção civil no Estado, que, além de ser desafiada pelos quesitos sociais e econômicos, com a necessidade de potencialização e da diminuição de custos, também tem sido provocada pelo advento da valorização da sustentabilidade ambiental. Para atender todos os desafios, o caminho tem sido percorrido com lentidão e cautela pela maioria das empresas, que estão aos poucos ousando nas alternativas tecnológicas.

O vice-presidente do Sinduscon-RS, José Paulo Grings, afirma que sempre foi uma característica brasileira desacreditar na possibilidade de implantação de tecnologias de outros países para otimizar a mão de obra. Hoje, porém, é uma obrigação que isso seja uma realidade, visto que os altos salários já não sustentam a fama da construção civil de grande empregadora.
Além da qualificação da própria força de trabalho, as inovações em máquinas e equipamento têm sido o grande segredo para manter o crescimento. Conforme Grings, no entanto, esse caminho é lento, se considerada toda a adaptação por trás de sua implementação. Os trabalhadores, ainda que em menor quantidade, devem ser mais qualificados, e a própria forma de planejar a construção precisa sofrer modificações significativas.

Nesse sentido, uma das soluções que apoia as demais é a ferramenta BIM (Building Information Modeling, ou Modelagem de Informação para Construção), que permite o diálogo entre todas as áreas no projeto. Muito utilizada nas chamadas construções verdes, esses mecanismos de planejamento otimizam a utilização dos materiais e evitam o retrabalho. Com o trabalho transversal, a obra tende a ficar mais sustentável e menos dependente da força de trabalho intensiva.

Dentre as soluções pontuais, as máquinas são as mudanças mais visíveis. O Grupo Baram é exemplo disso com a locação, procedimento que hoje ocupa cerca de 50% do mercado no País, conforme o diretor-presidente, Josely Rosa. A solução é atualmente uma das principais opções para reduzir os custos, isso porque a empresa contratante evita gastos com equipamentos para usos pontuais, desatualização e a qualificação dos técnicos para manutenção. Conforme a empresa, em 2010 havia cerca de duas mil locadoras de máquinas e equipamentos no Brasil, sendo 20% registradas nos últimos dois anos. O valor das locações pode variar de 4% a 15% por mês em relação ao valor de compra.

Outro déficit de oferta de profissionais despertou a atenção do Grupo Baram, que investiu em uma máquina para acabamento de parede. O equipamento, resultante de investimentos de R$ 4,2 milhões, dispensa a necessidade de profissional especializado, produzindo o equivalente a 400 metros de reboco por dia, enquanto um pedreiro produz de 25 a 30 metros. Além da agilidade, a promessa é de economia, visto que a média por metro quadrado de produção de um pedreiro é de R$ 7,00 a R$ 10,00, o que significa, a cada dia, um gasto de R$ 175,00 por pedreiro. Se considerada a produção diária, o equipamento se propõe a substituir em torno de 12 pedreiros, amortizando rapidamente o investimento. Lançada em março, a novidade já foi utilizada em pequenos e grandes empreendimentos, de apartamentos de luxo ao programa Minha Casa, Minha Vida.

Soluções antigas voltam a ocupar espaço

Aumentar a velocidade da mão de obra, reduzir custos, melhorar a resistência das paredes e ainda responder a um apelo ecológico. Nisso pensou a FCC ao ressuscitar uma fórmula dos anos de 1970 para criar a argamassa polimérica Dundun, inicialmente elaborada para a colagem de revestimentos cerâmicos. “A massa ficou muito tempo dormente, porque não víamos um potencial de mercado muito grande para ela no assentamento de tijolos”, relata o gerente de novos negócios da FCC, Marcelo Reichert.

Com essa escassez de profissionais, a formulação passou a ser aperfeiçoada, chegando-se ao resultado de utilização em quantidade muito menor, o que compensou o maior custo por quilo. Conforme Reichert, a economia é muito menor se combinada com a redução da mão de obra a qual se propõe. Segundo a empresa, a argamassa convencional se utiliza de 30 a 50 quilos por metro quadrado de parede construída, enquanto a inovação usa somente um quilo e meio. Além disso, a proposta é que a massa seja utilizada por qualquer pessoa, sem habilidades específicas. “O servente pode aplicá-la enquanto o pedreiro se foca em assentar os tijolos”, explica o gerente. “Alguns testes que fizemos apontaram que, para se assentar 25 metros quadrados de parede com argamassa convencional, foi necessário um pedreiro com dois assistentes trabalhando durante oito horas. Com a DunDun, o mesmo pedreiro com apenas um assistente fez o mesmo trabalho em três horas”, afirma.

Por se valer de uma composição química diferente da tradicional, que não leva cimento, cal e areia, e sim é feita à base de resinas sintéticas e agregados minerais, o fator ecologicamente sustentável orgulha a empresa. “A DunDun não passa por nenhum processo parecido ao do cimento. Ela é simplesmente processada e seu passivo ambiental se limita à utilização de energia elétrica. Além disso, evita a retirada de areia e argila do leito de rios”, explica Reichert. Além disso, a resistência de colagem é superior por ser um material polimérico, ou seja, que tem certa flexibilidade.

Conforme ele, tem sido grande a aceitação do mercado, com maiores vendas para médias construtoras e para o comércio. Pela facilidade de utilização, as obras autogeridas têm sido um dos grandes focos, embora o encantamento de cada vez mais pessoas por construir e reformar a própria casa abra os olhos da empresa para os cuidados com esse novo perfil de “construtores”. A empresa procura reunir esforços para acompanhar e dar suporte técnico para as vendas, em função de que, mesmo que as inovações tenham trazido facilidades, não há substituição para o profissionalismo da construção civil.

 

Da Redação, original Jornal do Comércio.


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