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Greyce optou por um duplex de 48 m² na Pituba (Foto: Mila Cordeiro/Ag. A Tarde)

Comprar um microapartamento, de até 50 metros quadrados, perto de locais estratégicos, como estação do metrô, universidade ou mesmo, no caso de Salvador, em zonas turísticas e/ou próximas da praia, deve ser uma tendência para investidores de imóveis nos próximos anos. É a previsão do vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Bahia (Creci-BA), José Alberto Vasconcelos. “É uma tendência mundial que se iniciou em países desenvolvidos, como o Japão, e que já vem também chegando ao Brasil, já com mudanças mais notadas na região Sudeste, mas que já começa a se inserir, aos poucos, no mercado baiano”, afirma o corretor.

Vasconcelos acredita que, diante da crise e mesmo após a recessão, os investidores devem buscar empreendimentos mais seguros e com maior chance de retorno. “Os microapartamentos permitem essa certeza de retorno, quando bem localizados, sobretudo diante de interesses que podem até ser temporários para os moradores; afinal, preço é metro quadrado e quanto menor o imóvel, mais chance de atrair interessados dentro desse contexto”, frisa o corretor.

Segundo ele, no mercado baiano, os microapartamentos ainda são vistos mais como investimento focado em interessados em uso temporário, sejam jovens estudantes, turistas e pessoas que ainda não definiram planos mais concretos para o futuro, mas que, ao mesmo tempo, buscam segurança de ter um imóvel próprio, seja para morar em determinada fase da vida, de construção da carreira, por exemplo, seja para, posteriormente, alugar para quem também viverá, posteriormente, essa mesma fase.

“Esses números (de aumento na procura pelos imóveis) indicam um movimento do mercado, cada vez mais preocupado em oferecer modelos de residência e faixas de preços diversificados” - Caio Ribeiro, do Mercado Livre

Aumento nas buscas

Aumento nas buscas

Nacionalmente, o site Mercado Livre Classificados registrou um crescimento de 129% nas buscas por imóveis em sua plataforma, no ano passado, em comparação ao mesmo período de 2016. Só em relação aos imóveis, de 10 a 35 metros quadrados, a procura foi 16 vezes maior por meio da ferramenta. Uma boa localização – estratégica para planos e fases temporárias, sobretudo dos jovens e recém-separados –, aliada a um misto de benefícios, com condomínios que possam oferecer área de serviço comum, academia, churrasqueira e piscina, faz a diferença no interesse pelos empreendimentos. O levantamento do site aponta que esse tipo de imóvel já representa 13% das procuras gerais.

“Esses números indicam um movimento do mercado, cada vez mais preocupado em oferecer modelos de residência e faixas de preços diversificados para atender novos públicos, seja de forma definitiva ou locação”, afirma Caio Ribeiro, diretor do Mercado Livre Classificados. As cidades mais procuradas para compra ou aluguel de imóveis na plataforma, durante o ano passado, foram São Paulo, Rio de Janeiro, Guarulhos e Belo Horizonte.

Em Salvador, segundo o Creci-BA, não há, no momento, novos lançamentos em destaque com este foco específico, voltado para esse nicho de mercado. A previsão da entidade é que a tendência de mercado resulte em “projetos do pós-crise”, focados no modelo de microapartamentos para investimento ou residência funcional.

“Um canto seu”

Depois de cinco anos dividindo apartamento alugado com um amigo, a enfermeira Greyce Spósito não pensou duas vezes em comprar um imóvel menor, quando a dona do imóvel quis rescindir o contrato de locação. “Aproveitei a época para buscar um imóvel bem localizado que, embora fosse pequeno, atendesse às minhas necessidades atuais, permitindo-me, por outro lado, investir em algo meu, com preço de prestação pouco maior do que se poderia gastar com aluguel”, explicou.

Greyce comprou um duplex, de 48 metros quadrados, em ótima localização, no bairro da Pituba (próximo ao mar e a estabelecimentos diversos, desde restaurantes, shoppings, clínicas e farmácias; com opções de rotas de tráfego e em frente a uma praça, entre outras vantagens). Por enquanto, ela só pensa em aproveitar, ao máximo, seu “cantinho”, já ciente de que dispõe de um investimento, caso no futuro queira mudar para um apartamento maior. Para os que estão decidindo sobre a questão (entre alugar um imóvel maior ou investir em um microapartamento que seja só seu) ela recomenda, sem qualquer dúvida: “Vale muito a pena ter um canto para chamar de seu”.

 

 

Fonte: A Tarde


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