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No Village Mall, um dos sofás confortáveis da Richards, no conceito informal assinado por Bob Neri (Foto: Andre Nazareth/Divulgação)

Copiar um arranjo de flores que nos recepciona na entrada da butique K&T, na Garcia d’Ávila. Perguntar a uma gerente de onde veio aquele sofá confortável da Richards. Ter vontade de trocar o piso de casa para ficar igual ao da Farm. Estas são reações cada vez mais frequentes por parte de quem circula pelos shoppings e ruas de comércio.

Das feiras para o conceito

Esta atração a mais, além das propostas de roupas e acessórios, se deve ao trabalho de arquitetos especializados. Um dos pioneiros no tema é Bob Neri, desde os anos 1980 responsável pela ambientação da Richards. A partir do estilo de vida do proprietário, Ricardo Ferreira, um adepto de barcos, praias, uma informalidade diferente da tradicional na moda masculina. Desde então, Bob pesquisa objetos pelo mundo e pelo Brasil. Principalmente, na feirinha da Praça Quinze, no Rio, de onde saem as coleções de globos terrestres, as maletas. Ele e a mulher, Bel Lobo, do escritório Be.bo, continuam dando identidade a espaços tão diversos quanto a Livraria Travessa, a lojinha da Beth Chocolates, as novas lojas da O Boticário, a Selaria, Salinas, Puket.

Madeiras e cores se aliam a soluções de prateleiras e cabides para exibir as mercadorias.

Pegada sustentável

Outro veterano, Ricardo Campos, tem a pegada sustentável há algumas décadas. Do seu galpão em Niterói saem portas, janelas, colunas e móveis de chapas metálicas, madeiras de demolição, materiais que aparentemente nada teriam a ver com o comércio de luxo. No entanto, para comprovar, basta ver as lojas de Mara Mac, uma das mais requintadas da cidade, ou da Dress To, de linha mais irreverente, onde os cabides percorrem o espaço em cabos coloridos e curvos.

Jalecos e jardins

O poder jovem também atua na área. Victor Niskier, 27 anos, ostenta um currículo de trabalhos focados no conforto ambiental, tema da sua pós em Coimbra, depois da graduação na PUC. Visto através da inauguração da JalecoLuxo, ateliê de roupas profissionais da Erika Duarte, no shopping Gávea Trade, contou os planos e projetos em andamento:

“Pela primeira vez, participo da Casa Cor Rio, com o ambiente Colmeia Urbana, um estar na área externa, porque o tema deste ano da mostra é Casa Viva. Neste segundo semestre, entro com uma linha de móveis na Way Design” _ conta, entre o ateliê da Erika, inspirado na Alta Costura, com aspecto de moda dado pelo painel de rendas cortadas a laser, o Cinex, vidro com estampa de mármore de uma empresa de Bento Gonçalves, empregado na fachada e nos balcões e o Quickstep, um laminado belga no piso, que se jura que é madeira.

Victor cria tanto projetos comerciais como residenciais, e sua maior novidade reúne estilo e paisagismo. É o Acácia Garden Center, um showroom de plantas em espaço de 6 mil m2 em Camorim, perto da Abelardo Bueno, na Barra, empreendimento da Porto das Acácias.

É uma estrutura com propostas de plantas para quatro temas: clássico, cozy, zen e urbano, em varandas de 14m2 ou sacadinhas de 3m2. Demonstra que é possivel ter um paisagismo até em espaços menores.

 

Experiência sensorial

Para a arquiteta Juliana Neves, titular da Kube Arquitetura, o projeto comercial evidencia os conceitos da marca e o retorno do investimento, enquanto o residencial tem a preocupação de beleza e do aconchego, sem ser vendedor. Entre seus ambientes figuram a Hugo Boss do shopping Leblon, a Outer, um espaço infantil chamado No Quintal do Nicolau e a Self +.

“O trabalho comercial exige conhecimento do mercado, atenção ao preço de materiais e coisas que estão sendo escolhidas para levantar o projeto. As soluções criativas devem ser com materiais mais baratos e fáceis de encontrar em qualquer região do país” _ lembra Juliana, prevendo que, se a marca for um sucesso, existe a possibilidade da expansão como rede própria ou franquias em outras localidades.

O Kube é a aposta na experiência do consumo que vai além do ato mecânico de procurar, pagar e levar a mercadoria. Juliana oferece uma gama de benefícios através da arquitetura definida como sensorial: textura, aromas, cores, conforto, identificação e prazer. Sem esquecer o final feliz: chegar em casa com a roupa nova dentro da sacolinha no design coerente com o ambiente da loja. O sofá confortável fica para depois.

Fonte: Jornal do Brasil 

 


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