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ENTREVISTAS

As tecnologias estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano. A internet tem revolucionado o acesso à informação, diminuindo distâncias e mudado as formas de relacionamento.

Muito tem se falado sobre a nova tecnologia: “Internet das coisas (IoT)”, que é uma extensão da Internet como conhecemos aplicada aos objetos que utilizamos em nosso dia-a-dia, permitindo que se conectem à rede mundial de computadores.

A IoT tem possibilitado às indústrias tradicionais uma produção mais eficiente. Essa aplicação é chamada Indústria 4.0, principalmente na engenharia e construção civil.

Para falar mais sobre o assunto o Obra 24 horas conversou com Ricardo Caruso - Engenheiro, Instrutor e Consultor do programa de Indústria 4.0 da Fundação Vanzolini.  A Fundação Vanzolini, é uma instituição privada, sem fins lucrativos, com o objetivo de desenvolver e disseminar conhecimentos científicos e tecnológicos inerentes à Engenharia de Produção, à Administração Industrial e à Gestão de Operações.

Confira a entrevista:

O que é o conceito de indústria 4.0?
Ricardo Caruso: A Indústria 4.0 pode ser definida como um movimento global de busca pela competitividade de parques industriais nacionais através da larga adoção de tecnologias na produção. Apesar de apresentar algumas diferenças regionais, tecnologias inovadoras como inteligência artificial, internet das coisas, realidade aumentada e impressão 3D estão no centro dessa discussão, aliadas a sistemas altamente integrados, tanto dentro das companhias como entre diferentes empresas.

Este modelo é aplicável em qualquer segmento?
Ricardo Caruso: A ideia de conseguir diferenciais competitivos, por meio da adoção de tecnologias inovadoras e alto nível de integração é sem dúvida aplicada a qualquer segmento. O movimento alemão, que deu origem ao termo Indústria 4.0, é bastante centrado nas aplicações industriais, em especial de manufatura, condizente com as características produtivas do país. Os Estados Unidos, com o chamado localmente de Industrial Internet of Things, já apresentam um programa que inclui a automação de cidades (Smart Cities) e da área médica.

A Indústria 4.0 pode ser contextualizada em um conceito mais genérico conhecido como Digitalização. Nele os negócios são desafiados a se tornarem mais digitais, com acesso direto a seus clientes via plataformas mobile e alta flexibilidade de produtos e serviços. Diferentes segmentos, porém, vão ter que adotar modelos diferentes para isso e desenvolver esses modelos é o grande desafio atual para gestores, pesquisadores e fornecedores de tecnologia.

Quais são os entraves para implantar esse modelo de produção?
Ricardo Caruso: Os primeiros projetos já estão acontecendo, o que indica que já temos equipes e tecnologias maduras para a implantação em campo. Os desafios, porém, ainda são vários. Tecnologias com alto nível de integração entre sistemas exigem um trabalho de equipes multidisciplinares de atravessam várias áreas da organização. Projetos assim exigem gestores capazes de se comunicar de forma eficiente com os diferentes profissionais envolvidos, ainda raros na maioria das empresas. Em muitos segmentos as equipes de negócio ainda conhecem muito pouco sobre tecnologia, o que dificulta a seleção das ferramentas mais adequadas para apoiarem as transformações que a empresa precisa.

Há alguma iniciativa no Brasil ou no mundo que se aproxime da aplicação do conceito de indústria 4.0 na construção civil? 
Ricardo Caruso: A construção civil ainda está aparecendo pouco nos fóruns de discussão sobre a Indústria 4.0 e digitalização. Alguns autores entendem que segmentos como a manufatura e saúde já passaram por décadas de adoção de sistemas de automação, e isso tem facilitado a entrada de tecnologias mais conectadas.

Como funciona esse processo? 
Ricardo Caruso: A construção civil guarda uma série de semelhanças com alguns segmentos da manufatura, que podem servir como ponto de partida para a discussão da transformação digital do setor. Indústrias têm projetado produtos inteligentes conectados pela internet que permitem o atendimento mais próximo ao clientes no pós venda, permitindo até a oferta de novos produtos. Construções com sistemas de automação podem seguir o mesmo modelo de negócio. Pensando em eficiência nos processos, a integração com a cadeia de suprimentos, em grande parte formada por indústrias, pode trazer impactos em custos e tempos. Em uma rápida busca na internet, já podem ser encontrados experimentos de impressão 3D do setor.

Quais seriam os passos seguintes para quem deseja iniciar a indústria 4.0 em seu setor? 
Ricardo Caruso: O ponto central é entender o potencial das novas tecnologias e escolher em que parte da operação elas podem ser aplicadas trazendo resultados positivos para a companhia. Muitas empresas estão adotando com sucesso modelos de gestão de inovação, muitas vezes com a criação de novas equipes com esse foco, que buscam as oportunidades de projeto e selecionam as mais promissoras para a realização de provas de conceito. Apenas após a avaliação desses primeiros testes em campo, desenham uma estratégia de implantação em escalas maiores.


Entrevista concedida a jornalista Bruna Fernandes com exclusividade para o portal Obra 24 Horas.

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