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Apesar do cenário econômico e político ainda ser desfavorável, a cadeia produtiva da construção civil começou a dar sinais de recuperação em 2017. Para avaliar esses avanços e projetar as expectativas para o próximo ano, convidamos o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), a maior associação de empresas do setor na América Latina, congregando e representando 400 construtoras associadas e 15 mil filiadas em todo o estado, a falar sobre o assunto.

Conversamos com o diretor da Regional Campinas do SindusCon-SP, Marcio Benvenutti, que fez um balanço do ano de 2017 para o setor da construção civil e as perspectivas deste mercado para 2018.

Confira a entrevista:

Obra 24 Horas: Segundo levantamentos, a construção é o componente do Produto Interno Bruto (PIB) com a queda mais intensa entre todos os setores em 2017 e viveu mais um ano de retração. O ano de 2017 ainda foi um ano ruim para o setor?

Marcio Benvenutti: Sim. Nossa estimativa é que o PIB da indústria da construção caia 6,4% em 2017. No início do ano, os indicadores disponíveis apontavam que o setor cresceria 0,5%. Mas, a confiança dos investidores privados, que parecia começar a se restabelecer no primeiro semestre, sofreu forte abalo com o cenário político e econômico brasileiro. No segundo semestre, a falta de aprovação da reforma da Previdência manteve a hesitação dos investidores.

 

Obra 24 Horas: Qual a importância da retomada do setor para a recuperação da economia brasileira?

Marcio Benvenutti: Quase a metade de tudo o que é investido no país passa de uma ou outra forma pela indústria da construção. Junto com a indústria de máquinas e equipamentos, nosso setor responde pela formação bruta de capital fixo do país. Assim, quando os investimentos aumentam, a atividade na construção também se eleva, gerando obras, renda e emprego, tanto na cadeia produtiva como nos demais segmentos.

 

Obra 24 Horas: Fazendo uma retrospectiva, qual a sua avaliação do ano de 2017 para a construção civil?

Marcio Benvenutti: Com o crônico aumento das despesas de governo e a diminuição da arrecadação, os recursos para investimentos com recursos públicos sofreram drásticas reduções. O pouco que se investiu na ampliação da infraestrutura não foi suficiente nem para a manutenção da existente. As esperadas concessões e parcerias público-privadas não se concretizaram senão em casos pontuais, como aeroportos e, no Estado de São Paulo, concessões rodoviárias.

Os distratos na comercialização de imóveis e a ausência de uma legislação para regulamentá-los também contribuíram para essa queda da atividade da construção. A preferência do setor foi por desovar estoques antes de lançar novos empreendimentos imobiliários.

Na habitação popular, os recursos federais para a contratação de unidades habitacionais destinadas a famílias de baixa renda foram, em sua maioria, para a retomada das obras paralisadas. Somente no final do ano realizaram-se novas contratações, que resultarão em obras no ano que vem.

Um início de alento veio nos últimos meses com um aumento do número de lançamentos de imóveis. Também aqui as obras resultantes serão realizadas apenas a partir do próximo ano.

 

Obra 24 Horas: Quais as expectativas para o mercado da construção em 2018?

Marcio Benvenutti: Se o PIB nacional crescer 2,5%, a perspectiva é que a construção cresça 2%. Mas, para tanto, será necessário superar desafios. Retomar a confiança dos investidores, mediante reforma da Previdência e outras medidas para reequilibrar as finanças públicas. Recuperar a confiança dos investidores com a definição de um quadro eleitoral que assegure a continuidade dessas medidas. Instituir uma legislação que regulamente os distratos.

Além disso, será preciso adotar medidas para melhorar o ambiente de negócios, como desburocratizar e agilizar o licenciamento de empreendimentos, na linha do que a Prefeitura de São Paulo acabou de fazer, com a criação do Aprova Rápido, pelo qual as licenças serão expedidas em até 60 dias.

Se este cenário se concretizar, acreditamos que ele beneficiará positivamente os fornecedores de insumos para a construção. Para criar mais sinergia na cadeia produtiva, o SindusCon-SP está se abrindo à associação de construtoras de todos os portes, fabricantes de insumos e meio acadêmico. Isto favorecerá a disseminação de conhecimentos e alavancará novos negócios.

 

 

Entrevista concedida a jornalista Isabella Robaina especialmente ao Obra24Horas
 

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