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ENTREVISTAS

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – CAU/BR e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal – CAU/UF foram criados com a Lei nº 12.378 de 31 de dezembro de 2010, que regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo no país. Uma conquista histórica para a categoria, que significa maior autonomia e representatividade para a profissão.

Uma das grandes lacunas da criação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, o CAU, era a ausência de postos de atendimento aos profissionais fora das capitais de cada estado.
A cidade de Campinas reúne em torno de si uma importante região metropolitana que movimenta parte considerável do PIB brasileiro, com uma população superior a um milhão e meio de habitantes e aquecido mercado no campo da construção civil. Em 2014 foi inaugurada a CAU em Campinas.

O Arquiteto e Urbanista – Victor Chinaglia, formado em 1990 pela PUC-Campinas, foi secretário de planejamento e meio ambiente de Americana, Conselheiro por dois mandatos no CAU/SP e atualmente é Diretor de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Arquitetos - SASP e Gerente Regional Campinas do CAU/SP. Victor concedeu uma entrevista ao Obra 24 horas para falar sobre os desafios da arquitetura no Brasil. Confira:

Obra 24 horas: Como é a atuação da CAU/SP Campinas desde o seu início?

O CAU é fruto de mais de 50 anos de luta de milhares de arquitetos-urbanistas que queriam um Conselho uni profissional que garantisse legalmente as nossas atribuições exclusivas. Criado por Lei 12378/2010 foi instituído nos Estados a partir das eleições de 2011 e   em 2014 instalam-se as Regionais no qual inclui a de Campinas e outras nove espalhadas no Estado de São Paulo. O início foi e está sendo desafiador, pois parte do patrimônio do CREA construído também com o suor dos arquitetos não foi repassado ao novo Conselho, mas a liberdade de ações e a dedicação permitiu inovações no sentido de melhorar o atendimento e o diálogo com os profissionais.

Obra 24 horas: Quais as principais conquistas e avanços?

Principalmente no atendimento e prestação de serviços totalmente digital aumentando a agilidade, além de uma fiscalização preventiva e educativa focada principalmente na defesa da sociedade. A criação dos Escritórios Descentralizados reforçou o caráter estadual do Conselho, se aproximando fisicamente de centros regionais que são sedes de escolas e local de produção de muitos profissionais. Somente na Região de Campinas são aproximadamente 6000 profissionais e 20 faculdades, se fosse uma unidade da Federação seriamos o sexto estado em número de arquitetos-urbanistas no Brasil.

Obra 24 horas: Há outras iniciativas que se destacam?

A Conferência do CAU/SP que serve para refletir a importância da arquitetura e urbanismo em ser um bem social, no qual todos os cidadãos têm contato direto e que deveriam ter direito e acesso desse serviço, pois influencia sua qualidade de convívio e até sua perspectiva de vida. Esse debate não se encerra após o término da Conferência   e é estendido com as edições da Revista Móbile, centro aglutinador do pensamento da arquitetura e urbanismo.

Obra 24 horas: E os desafios da gestão?

Aumentar a capacidade de atender o maior número de arquitetos –urbanistas com agilidade e excelência   e claro atender a sociedade, através por exemplo da Lei de Assistência Técnica. A aplicação da Lei 11888/2008 só será possível com o diálogo entre os entes Federativos e movimentos sociais e o CAU, tanto os das unidades estaduais como nacional terão um papel fundamental para construir meios para exercer esses diálogos e depois fiscalizar as ações e resultados.  

Obra 24 horas: Como o CAU/SP atende ao seu público?             

Como já foi citado anteriormente, o atendimento de serviços é realizado de forma digital através da página do CAU, mas também realizamos de forma presencial na sede em São Paulo e nos Escritórios Descentralizados, por telefone e e-mail. Nas atividades no qual o CAU participa, sendo nas escolas, feiras e palestras também são realizados atendimentos e tiragem de dúvidas dos colegas. A Revista Móbile também tem uma seção para tirar dúvidas e receber orientações.

Obra 24 horas: Como pode ser avaliada a formação do arquiteto brasileiro?

Hoje através de uma pontuação que é realizado pelo MEC e o CAU está elaborando a partir dessa atividade um selo de qualidade para as escolas que levará em conta essa pontuação e critérios como por exemplo os laboratórios, a relação número de professores por alunos, mestres e doutores no corpo docente etc. Hoje das 20 escolas da região, dez já passaram pelo processo do MEC em definitivo, outros 10 que ainda não realizaram a colação de nenhuma turma, estão sendo avaliados. O Estado de São Paulo tem o mesmo número de escolas que a China inteira, será necessário rever sua distribuição territorial que afeta diretamente na qualidade e no mercado de trabalho.

Obra 24 horas: Como a crise que o país atravessa afetou o mercado?

Estima-se que a demissão na indústria da construção civil superou a casa de um milhão de trabalhadores segundo o Sinduscon, muitos desses arquitetos-urbanistas. Os autônomos também foram muito atingidos pois a retração no setor chegou no construtor individual, seja no mercado de construção unifamiliar de habitação ou mesmo nas reformas. Afirmo que a construção civil numa crise econômica é o primeiro a ser atingido e o último a sentir o final dela.

Obra 24 horas: Como a CAU/SP enxerga o BIM - Building Information Modeling?

Uma ferramenta tecnológica fundamental para reforçar mercado nacional de trabalho e principalmente abrir mercado internacional para nossos escritórios e profissionais. O CAU/SP tem uma Comissão para estudar e servir de base de debate sobre a importância do BIM e como instrumentalizar o profissional para se tornar competitivo.

Obra 24 horas: Quais os principais desafios para uma política urbana sustentável?

Poderíamos citar aqui dois pilares, transporte coletivo e sua matriz energética e aumento da tecnologia na construção civil. Existem cidades no mundo que já tomam medidas para substituir a matriz energética do petróleo para outras mais limpas como a solar e elétrica e o aperfeiçoamento do transporte coletivo através por exemplo do uso do potencial fluvial em hidrovias e trilhos com as ferrovias, metrôs, VLTs e outros. O segundo pilar ajudaria a reduzir a perda na construção civil, ao ano são desperdiçado toneladas de material de construção que quase sempre não tem destinação correta para o descarte. Isso representa algo em torno de 20% de tudo que é destinado para o setor e que acaba em terrenos, áreas de preservação e na exploração de jazidas e outras atividades extrativistas que afetam diretamente a natureza. 

Obra 24 horas: Como avançar no cumprimento desses instrumentos legais?

Os arquitetos-urbanistas tem um papel crucial, uma vez que existem Planos Nacionais que estabelecem diretrizes aos entes da Federação, P.N. de Resíduos Sólidos Urbanos, P.N. de Saneamento, P.N. de Transportes enfim, passa obrigatoriamente pelo planejamento urbano. Os municípios têm metas e prazos para a tender a legislação, mas a fiscalização federal ainda é frouxa, só no Estado de São Paulo, tem aproximadamente 200 cidades que não contam com arquitetos em seus quadros profissionais. Temos que aumentar a pressão sobre eles que podem montarem escritórios técnicos em consórcio com outras cidades, falta iniciativa e cultura de planejar para grande parte dos gestores.  

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