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Com a crise hídrica, houve uma certa redução no consumo. Ficaram mais raras as cenas de gastança explícita de pessoas jogando água fora via mangueira em lugar da velha e boa vassoura, nas calçadas de residências e prédios. Dentro dos condomínios, também tivemos conhecimento do esforço de síndicos e moradores para promover economia. Ainda não sabemos, porém, se o esforço ocorreu na medida da gravidade da situação.

A luta contra o desperdício de água não depende somente da iniciativa dos consumidores. É também - e principalmente - missão das empresas fornecedoras. Fala-se atualmente em perdas de 60% da água canalizada em território nacional, decorrentes de falhas nos processos de captação e distribuição, rachaduras e defeitos em válvulas e bombas. Fica claro também que a responsabilidade não é apenas de "São Pedro". 

Nos condomínios, a água responde por 10% a 15% das despesas ordinárias comuns. Trata-se do segundo maior gasto depois de mão de obra e encargos, que representam cerca de 50% dessa cota. Onde não foi ainda instalado o hidrômetro de medição individualizada, todos pagam pela média, e aí a maioria dos moradores confia no rateio e gasta além do necessário.

Enquanto não chegar a hora de instalar o poço artesiano, o medidor de água individual é o melhor caminho para reduzir o consumo irresponsável. Mas ainda não é possível beneficiar todos os prédios com essa solução, pelo menos a um custo viável. A instalação em construções antigas depende do número de prumadas e a obra é complexa. Nos condomínios com o equipamento já instalado, a economia surge naturalmente, podendo chegar a 30% da conta mensal. 

O hidrômetro não é, entretanto, a única opção. Reguladores e redutores de vazão custam pouco e podem ser instalados pelo próprio morador. O incentivo fiscal para produtos e equipamentos, que ajudam a preservar a água, não pode ser esquecido.

Consumo total

Onde não for instalado o hidrômetro de medição por unidade autônoma, a conta continuará rateada pelo consumo total e todos - economizando ou não -  vão pagar pela média. Muitos moradores ainda torcem o nariz ao pagamento da conta pelo consumo individual. São individualistas no consumo, mas comunitários no pagamento.

Estamos falando de economia de água intramuros. Extramuros, o desperdício é outra história. A perda com vazamentos visíveis e falhas nas tubulações, além das fraudes no fornecimento, indica que houve anos de descaso por esse bem tão abundante no passado. Seguramente, é a primeira vez na história em que a água se torna um bem ameaçado de colapso. Há rios secando antes de chegar ao mar. O esgotamento dos mananciais e rios é uma realidade no mundo e aqui, na Grande São Paulo.           

Os ambientalistas defendem que, antes de qualquer obra para aumentar a oferta de água, essas perdas e fraudes na rede de abastecimento deveriam ser a prioridade. Para eles, as metas de redução do desperdício são tímidas. Não há como discordar. 

Pelo bem do planeta e da humanidade, produtos que fazem verter água sem controle deveriam ser repensados. Anúncios mostrando cenas de esbanjamento teriam de ser questionados ou controlados. E as nossas atitudes deveriam ser mais conscientes. Sempre!

* Hubert Gebara é vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), presidente eleito da Fiabci/Brasil  e diretor do Grupo Hubert.

Artigo escrito por Hubert Gebara

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