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O sonho da casa própria cresceu e mudou de status. Hoje, quem compra um imóvel já pensa na decoração como um item importante para ter seu lar aconchegante, funcional e agregar valor de revenda. Cada geração tem uma história para contar no contexto do setor imobiliário. Por exemplo, quem viveu a mocidade nos anos 1950 relembra a realização do sonho da casa própria com um sentimento de sacrifício.

Mas hoje o cenário é outro. Além do mercado estar investindo em imóveis de pequeno porte, e já ser uma realidade mais acessível a compra do primeiro imóvel, o público com poder aquisitivo também ostenta um perfil bem diferenciado. Pouco mais de 50 anos se passaram, e a juventude de hoje compra um imóvel cedo – com menos de 30 anos, muitos adquirem seu primeiro imóvel na faixa dos 20 anos, seja para morar ou para investir. Há 50 anos atrás, quem comprava imóvel para ir morar sozinho? Essa aventura era para quem ia casar e formar uma família. Hoje, o sonho da casa própria não tem idade.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio – Embraesp, os residenciais com área útil entre 45m² e 65m² destacaram-se no mês de outubro deste ano, com 872 unidades novas lançadas. Imóveis com menos de 45m² tiveram 795 unidades lançadas e 541 vendidas. Aqueles com área entre 45m² e 65m² totalizaram 526 unidades comercializadas. Vale ainda acrescentar que de janeiro a outubro, os lançamentos acumularam 12.389 unidades residenciais, com queda de 21,9% em relação ao mesmo período de 2015 (15.868 unidades).

Recentemente, o Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP anunciou o resultado de uma Pesquisa do Mercado Imobiliário que mostrou que em outubro foram comercializadas 1.507 unidades residenciais novas na cidade de São Paulo. O volume é 35,5% superior ao total vendido em outubro do ano passado (1.112 unidades), mas 12,2% inferior em relação ao volume de vendas de setembro deste ano (1.717 unidades). No acumulado de janeiro a outubro, foram vendidas 12.324 unidades residenciais na cidade de São Paulo, volume 16,8% inferior ao total de comercialização no mesmo período de 2015 (14.810 unidades).

Os números refletem um ano mais complicado em decorrência de muitos fatores que afetaram a economia – os dados acumulados em 12 meses (novembro de 2015 a outubro de 2016) mostram a diminuição de 30% nos lançamentos e 16% nas vendas. Segundo a instituição, a explicação para esse movimento está na falta de confiança de incorporadores e consumidores na recuperação da economia. Estes resultados foram os mais baixos registrados pela pesquisa desde 2004.

Mas na contramão dessas estatísticas pude constatar que quem quer casa, o próximo passo é decorar. E trabalhamos bastante. Tenho registrado uma crescente demanda de projetos por parte desse público jovem, que precisa de ideias inovadoras para integrar espaços – o que já é uma forte tendência – e tem muitas dúvidas quanto aos móveis mais indicados para garantir a organização e uma boa circulação, além de vir crescendo uma exigência por materiais ecológicos.

Em geral, noto a necessidade dessa geração em poder contar com um profissional que, além de os orientar na criação do projeto, orquestrar a equipe de obra e monitorar a compra de materiais, encurtando o caminho para desfrutar do projeto dos seus sonhos sem dor de cabeça e com a máxima economia. Isto, porque trabalham muito e não têm tempo para acompanhar de perto o processo e cada etapa da reforma.

São esses jovens que compõem as estatísticas que apontam que imóveis com preços entre R$ 225 mil e R$ 500 mil lideraram as vendas e os lançamentos com, respectivamente, 610 unidades e 844 unidades. O melhor VSO (20,4%) foi de imóveis com preços inferiores a R$ 225 mil: foram comercializadas 354 unidades de uma oferta de 1.737 imóveis nesta faixa.

Procuro orientar esses novos proprietários de que, independentemente do imóvel ser na planta e ser novo ou mesmo se for usado, o mais importante é fazer um planejamento antes de iniciar esse investimento, pois trata-se de um marco na vida dessas pessoas.

Faço questão de conscientizar esses jovens de que a decoração é um investimento, pois agrega aspectos funcionais e estéticos e deixa o imóvel personalizado, com a cara de quem mora. Isto vale, inclusive, para um imóvel alugado. Hoje, muitas pessoas optam por decorar o imóvel alugado e deixar com sua cara e negociar com o locador, que terá muitas vantagens na próxima locação. Com a decoração, todos saem ganhando, sempre!

Uma fonte de inspiração são os apartamentos decorados que estão nos estandes de vendas das construtoras. Esse modelo de negócio tem como objetivo principal encantar os compradores, mas na verdade é uma maneira de orientá-los sobre o aproveitamento dos espaços de cada um dos ambientes, pois esses decorados reproduzem a metragem original do imóvel que o mutuário vai adquirir. Mas não é o suficiente. Ninguém quer morar em um apartamento-padrão, não é? O ideal é aproveitar essas ideias e junto a um profissional buscar alternativas que atendam à necessidade dos moradores.

Hoje em dia, quanto mais cedo os jovens começam a planejar a compra da casa própria, o que tem se mostrado um amadurecimento financeiro e profissional dessa nova geração, mais rápido se sentem impulsionados por seguir adiante e investir em um upgrade, ou seja, um imóvel maior. É justamente na hora de vender o imóvel já decorado, funcional e aconchegante que se sente no bolso o quanto o investimento valeu a pena. O valor agregado ao imóvel é como uma poupança que faz a diferença e o torna mais competitivo.

* Glaucio Gonçalves é graduado em Arquitetura e Urbanismo e pós-graduado em Administração de Empresas para engenheiros e arquitetos pela FAAP – atua há 21 anos no mercado, destacando-se por desenvolver projetos de arquitetura e design de interiores para áreas residenciais e comerciais. Em 2014, deu início às atividades do escritório Glaucio Gonçalves Arquitetura e Design (www.glauciogoncalves.com). Já reúne mais de 300 projetos realizados, atuando nos mercados nacional e internacional (Angola), Em 2015, foi premiado como personalidade do ano – destaque arquitetura e design - pela Associação Brasileira de Liderança.

Artigo escrito por Glaucio Gonçalves

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